Relator da PEC 6X1 destaca folha de pagamento como insumo de empresas em jornada de trabalho

Relator da PEC 6X1 destaca folha de pagamento como insumo de empresas em jornada de trabalho

O Sesc Santana, em São Paulo, recebeu nesta terça-feira (30) o primeiro debate público sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25 que propõe o fim da escala 6×1. O deputado Luiz Gastão (PSD/CE) é relator da proposta, criada por Érika Hilton (Psol/SP).

“É uma pauta espinhosa, mas é uma grande oportunidade de discutir o papel dos trabalhadores e das empresas na competitividade do mercado”, destacou Gastão.

O relator frisou que para discutir o tema também deve-se haver consciência da necessidade de modernizar o sindicalismo brasileiro, pois é por meio dele que as negociações coletivas ganham corpo e decisões.

O deputado também frisou que a folha de pagamento precisa deixar de ser vista como uma despesa da empresa e passar a ser o maior bem social do país.

“Com o salário, criamos renda e consumo, e pagamos impostos. A folha de pagamento deve ser creditada para empresa: isso afeta a competitividade de uma maneira completamente diferente. Quando falamos da escala de trabalho, isso afeta a sobreviva das pequenas empresas que tem essa relação de folha e pagamento desvirtuada”, acrescentou.

Tipos de jornadas de trabalho

José Pastore, professor da faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo destacou os méritos e desafios da proposta. Ele explicou que existem três tipos de jornadas de trabalho: a que está na Constituição Federal, a negociada entre empregados e empregador e a de números de hora por ano.

Segundo o professor, as jornadas propostas por lei no mundo inteiro são altas. Já as negociadas, mais baixas, como as de 34,2h por semana na Alemanha e 38,4h no próprio Brasil.

No mundo inteiro, a negociação da jornada tem sido feita entre empregados e empregadores – num ritmo lento. Nos Estados Unidos, por exemplo, há um vai e vem das horas semanais, dependendo de como vai a economia.

“Na lei, sempre é mais alto porque pode-se precisar das horas. O Brasil vem seguindo essa tendência mundial. A negociação coletiva básica abarca produzir mais com menos horas”, observou Pastore.

Com a redução da jornada forçada por lei, as horas trabalhadas ficam mais caras ao mesmo tempo que a receita da empresa permanece a mesma. Isso pode gerar um efeito em cadeia da economia, transferindo a aumento do valor da hora para o preço final de produtos, acarretando aumento na inflação ou até inviabilizando certas atividades, causando desemprego.

Estudos indicam que um primeiro impacto da redução da jornada com o mesmo salário no PIB – sem negociação e imposta por lei – o reduz em 6,2%.

A audiência foi presidida pelo relator e contou com a presença de mais de 30 entidades e especialistas sobre o assunto, entre eles a Fecomércio/SP, Confederação Nacional da Indústria (CNI), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Os deputados Leo Prates, presidendte da Comissão de Trabalho, e Luiz Carlos Motta também estiveram presentes.

A proposta é analisada em uma subcomissão da Comissão de Trabalho da Câmara. O colegiado irá realizar cinco audiências públicas ao longo de seus trabalhos, em diferentes regiões do país, além de estudos técnicos e diálogos com setores envolvidos. Ao final, o relator apresentará um relatório com conclusões e sugestões para a elaboração da PEC.

O relator deve apresentar um parecer em 90 dias, depois que ouvir empresários, trabalhadores, professores universitários e o governo. A ideia é que o parecer seja discutido posteriormente na Comissão de Constituição e Justiça.